Estive hoje na manifestação promovida pela Marcha Mundial de Mulheres contra o ato da Uniban contra a aluna Geisy por usar um vestido curto. Ao chegar, pude perceber a aglomeração de pessoas na entrada de um dos blocos da universidade, onde estava o carro de som usado. Bem próximo, Sabrina Sato entrevistava alunos usando um vestido rosa muito chique.

Conversei com alguns grupos de alunos. Eles se mostraram muito receptivos à idéia de poder expressar suas opiniões a respeito de tudo que aconteceu. Eu notei que o tom variava de revolta, no começo da conversa, a algo mais ponderado no final. “Ela é culpada por isso”, “Estamos sem aula por causa da menina”. Descreviam o comportamento dela no dia em que saiu do edifício escoltada. Mas concluiam dizendo que a universidade não deveria tê-la expulsado. Após alguns minutos de conversa, descreveram o temor de que toda a publicidade negativa afetasse o mercado de trabalho para eles. Um deles, usando um boné, disse que não ligava para a roupa que ela usava. “Eu também sou julgado pela roupa que eu uso”.

Em seguida, conversei com um grupo de meninas que estudam num dos edifícios. A mesma reação inicial, de revolta com a Geisy. Mas elas disseram que várias outras garotas têm costume de usar roupas curtas na faculdade. E deram vários exemplos, demonstrando que sempre houve tolerância por parte tanto dos funcionarios quanto dos alunos em relação à vestimenta.

Conversei também com Lea, da organização da manifestação. Perguntei se a Geisy havia dado apoio. Ela me informou que o protesto era contra a decisão da direção da universidade de expulsá-la sem o que considerava ser o procedimento mais correto, de buscar fazer debates, informar. Não havia a pretenção de se entrar no mérito do comportamento que desencadeou todos os eventos dos últimos dias. “A direção da universidade pretende transformar a vítima em criminosa.” Não pude deixar de concordar com ela.

A manifestação, no entanto, não teve sempre o mesmo bom senso de Lea. Alguns dos manifestantes não estavam preparados para lidar com uma platéia hostil. Pedro, presidente de “Associação nacional de amparo a mulheres e famílias carentes”, em certo momento toma como missão pessoal fechar a Uniban. Desafia os alunos, perguntando quem seria o macho de expulsar Sabrina Sato, que estava a poucos metros de distância. “Quando vocês se unem, se tornam covardes”, diz ele. Várias vozes se levantavam contra essas generalizações.