Na comunidade de São Bernardo do Orkut está havendo uma discussão a respeito da greve dos professores e muita gente considera injusto o critério de promoção baseado no mérito implementado no estado de São Paulo. Como toda essa conversa é baseada completamente em achismo, resolvi escrever uma planilha onde é possível avaliar um caso limite.
Na planilha abaixo, separei os professores em cinco grupos, cada um contendo 20% do total. Os grupos também são classificados segundo a capacidade em passar no teste. Dessa maneira, o grupo A sempre vai receber a promoção quando puder, e o grupo B vai ganhar sempre que o A não puder recebê-la. O grupo E só vai receber promoção quando nenhum dos outros grupos puder recebê-la.
Calculei então a evolução dos salários usando as premissas acima.
| Ano | A | B | C | D | E |
| 0 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 |
| 1 | 1,25 | 1 | 1 | 1 | 1 |
| 2 | 1,25 | 1,25 | 1 | 1 | 1 |
| 3 | 1,25 | 1,25 | 1,25 | 1 | 1 |
| 4 | 1,56 | 1,25 | 1,25 | 1 | 1 |
| 5 | 1,56 | 1,56 | 1,25 | 1 | 1 |
| 6 | 1,56 | 1,56 | 1,56 | 1 | 1 |
| 7 | 1,95 | 1,56 | 1,56 | 1 | 1 |
| 8 | 1,95 | 1,95 | 1,56 | 1 | 1 |
| 9 | 1,95 | 1,95 | 1,95 | 1 | 1 |
| 10 | 2,44 | 1,95 | 1,95 | 1 | 1 |
| 11 | 2,44 | 2,44 | 1,95 | 1 | 1 |
| 12 | 2,44 | 2,44 | 2,44 | 1 | 1 |
| 13 | 3,05 | 2,44 | 2,44 | 1 | 1 |
| 14 | 3,05 | 3,05 | 2,44 | 1 | 1 |
| 15 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 1 | 1 |
| 16 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 1,25 | 1 |
| 17 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 1,25 | 1,25 |
| 18 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 1,25 | 1,25 |
| 19 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 1,56 | 1,25 |
| 20 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 1,56 | 1,56 |
| 21 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 1,56 | 1,56 |
| 22 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 1,95 | 1,56 |
| 23 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 1,95 | 1,95 |
| 24 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 1,95 | 1,95 |
| 25 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 2,44 | 1,95 |
| 26 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 2,44 | 2,44 |
| 27 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 2,44 | 2,44 |
| 28 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 2,44 |
| 29 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 3,05 | 3,05 |
Fica evidente que após trinta anos, todo o corpo de professores no estado terá recebido a promoção até o limite máximo. Eu não considerei o efeito da aposentadoria e admissão de novos professores, mas creio que o resultado não será alterado significativamente.
Eu entendo as razões pelas quais esse mecanismo foi criado dessa maneira. Primeiro, você garante que as contas não vão estourar. Se a quantidade de professores que recebesse a promoção pudesse chegar a 100% todas as vezes, o efeito da avaliação se perderia em alguns anos. Além disso, o percentual do aumento não poderia ser de 25%.
Além disso, há o efeito de concorrência com outros professores, que tende a incentivar seu aprimoramento técnico.
Uma crítica constante é de que o aumento tem que ser dado a todos os professores. Minha opinião é de que não. Uma pessoa que tem melhores condições deve ser incentivada através de promoções e bonus. Do contrário, não há vantagem alguma em se destacar da maioria. E um dos grandes erros da educação no Brasil é colocar todas as maçãs no mesmo balaio. Separar alunos bons daqueles que têm dificuldades é humano com os dois grupos: é possível dar um tratamento melhor àqueles que precisam de reforço sem segurar aqueles que podem atingir níveis de excelência, o que seria uma maldade. Quantos gênios não perdemos no ensino fundamental e médio porque ministramos conteúdos apenas suficientes para que os alunos medíocres possam acompanhar? Esse mesmo argumento vale para os professores. Negar que há ótimos professores e péssimos professores é negar a individualidade humana. Quereremos premiar igualmente todos eles, inclusive aqueles que não alcançam as espectativas mínimas? Eu penso que não.